segunda-feira, 19 de abril de 2010

Rede Brasileira de Ensino no Exterior: Centros Culturais, Institutos e Leitorados


Escrito por Marilena Bomfim


A Rede Brasileira de Ensino no Exterior (RBEx), gerenciada pela Divisão de Promoção da Língua Portuguesa (DPLP) do Ministério das Relações Exteriores, é composta por 21 Centros Culturais, 7 Institutos Culturais e 52 Leitorados, distribuídos em mais de 50 países. Os Centros Culturais Brasileiros, anteriormente denominados Centros de Estudos Brasileiros (CEBs) focalizavam tradicionalmente suas atividades no ensino da língua portuguesa. Entretanto, ao longo dos últimos anos, essas atividades têm-se intensificado e expandido, passando a abarcar, além da divulgação da cultura brasileira nas suas diversas manifestações, a divulgação de manifestações artísticas e culturais locais, transformando-se em genuínos centros culturais. A denominação "centro de estudos" deixou de alcançar conceitualmente a ampla esfera de atuação dessas unidades. Justifica-se, deste modo, fazer refletir em sua denominação essa nova realidade: "Centro Cultural Brasil-(nome do país onde o centro está localizado)". Os Centros Culturais Brasileiros (CCBs) têm o objetivo de difundir o idioma português falado no Brasil e de promover a cultura brasileira no exterior. Eles desenvolvem, nesse sentido, o ensino sistemá-tico da língua portuguesa falada no Brasil, a difusão da literatura e da cultura brasileiras, a organização de exposições de artes visuais, espetáculos teatrais e participação em feiras de livros, a distribuição de material informativo sobre o Brasil, a difusão da música erudita e popular brasileira, a divulgação cinematográfica brasileira, a organização de palestras e seminários sobre temas relacionados à civilização e à atualidade brasileira e a promoção de outras formas da cultura do Brasil.

Os Institutos Culturais são entidades sem fins lucrativos de direito privado e, embora autônomas, cumprem missão cultural em coordenação com as Missões diplomáticas e consulares da jurisdição em que estão sediadas. São eles: Instituto de Cultura Brasil-Colômbia (Bogotá), Fundação Centro de Estudos Brasileiros (Buenos Aires), Fundação Centro de Estudos Brasileiros (São José), Instituto Cultural Brasil Venezuela (Caracas), Instituto Brasil-Itália (Milão), Instituto Cultural Uruguaio-Brasileiro (Montevidéu) e o Instituto Brasileiro-Equatoriano de Cultura (Quito).
Os Leitorados reúnem professores especialistas em língua portuguesa, literatura e cultura brasileiras, que atuam em conceituadas universidades estrangeiras, selecionados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES/MEC) e pelas instituições acadêmicas no exterior. Atualmente, o Departamento Cultural do Itamaraty coordena e subsidia as atividades dos Leitorados distribuídos em universidades de reconhecido prestígio. A expansão da rede de leitorados revela o êxito dessa modalidade de promoção da língua portuguesa e da cultura brasileira, que atinge uma parcela qualitativa das populações locais, no âmbito das comunidades acadêmicas formadoras de opinião.
Adaptação a partir de dados fornecidos pela Divisão de Promoção da Língua Portuguesa do Ministério das Relações Exteriores

Cartaz: CONSIPLE 2010


O CONGRESSO DE BRASÍLIA EM 2010

Antes de optarmos pela intitulação que coroa este IX Congresso Internacional, Processos de Ensino e Aquisição de Português (L2 e LE) no Brasil e no Mundo, cogitaram-se outros títulos, sempre com a intenção amparada em melhor definir o foco central que nos convoca, a espinha dorsal do nosso encontro, o alvo ao qual se direcionarão nossos esforços concentrados.
Optamos pela clareza de enunciado, pela identificação com o linguajar da linguística, pela identidade com o ideário da matéria. Desejo expor aqui, contudo, outro título que esteve entre os mais cogitados, para dele subtrair palavra chave, palavra que, em minha opinião, descreve com precisão para onde se dirige a língua portuguesa neste momento da história. Refiro-me ao título Processo de inserção de português além fronteiras, seu ensino e aquisição. A palavra chave na qual me apoio é ‘inserção’. Falemos, então, de inserção: o dicionário Houaiss define o termo como ‘ato ou efeito de inserir(-se)’ e em sua primeira ampliação, especifica: ‘introdução ou inclusão de uma coisa em outra; intercalação, interposição’. Partindo do significado e de suas ampliações, não poderia ser mais sugestivo o palco de realização deste IX Congresso SIPLE, a concretizar-se nos dias 6,7 e 8 de outubro de 2010, na Universidade de Brasília. Como os que estão aquém fronteiras podem intuir, respirar e perceber, Brasília nasceu da necessidade de interiorizar o país, de sair do litoral atlântico, de fazer funcionar outras caravelas, novos transportes para a conquista desse território inexplorado que se podia supor a oeste da Serra do Mar. Da obstinação de um homem, Brasília deixou de ser a promessa utópica a que parecia estar condenada antes mesmo de nascer. Da fé e suor de muitos homens e mulheres, brasileiros de todas as raças e credos, Brasília foi construída em tempo recorde e hoje, cidade com identidade e sotaque consolidados, fruto da maior experiência de miscigenação de que se tem notícia, perfila-se como cenário que abriga diversidades e impulsiona novas idéias. Nesse palco privilegiado, no coração do Planalto Central, marcaremos nossa presença para discutir, projetar, debater esse processo de inserção da língua portuguesa no Brasil e no mundo, esse redimencionamento de uma língua que dá mostras de querer extrapolar fronteiras. Juscelino (nosso JK) estaria orgulhoso de ver sua meta síntese transformada, ainda que por três dias, em cenário de tão alvissareiras parlamentações. Brasília os recebe de braços abertos.
Fabricio Müller
Vice - presidente da SIPLE

Links interessantes

http://www.blogger.com/www.siple.org.br
http://www.alb.com.br/portal/5seminario/index.html
www.uesc.br

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PORTUGUÊS SEGUNDA LÍNGUA

O processo de ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira tem sido objeto de muitos estudos, posto que a necessidade de domínio de uma outra língua se torna fundamentalmente precisa no mundo globalizado, cujas fronteiras ideológicas perpassam por todas as questões identitárias, sob a égide do multiculturalismo e da interculturalidade.
As demandas sociolingüísticas dentro das comunidades brasileiras e hispânicas diferem entre si e, em determinados momentos, se imbricam em se tratando dos muitos grupos sociais, os quais as formam. Há um tênue artifício interacionista entre a língua estrutural e a pragmática, perfazendo a categorização de grupos sociolingüísticos distintos que segregam e/ou são segregados.
Para tanto, oportunizar a uma pessoa o acesso a uma Língua Estrangeira (LE) favorece o desenvolvimento de uma ação emergente em todas as sociedades, uma vez que a globalização beneficia a comunicação entre os povos, possibilitando o conhecimento de diversas culturas (hábitos, costumes), construindo um processo de respeito às diversidades sociolingüísticas reveladas como marca identitária.
No ensino/aprendizagem, o conhecimento deve ser construído observando as estruturas sistêmicas, bem como a base empírica que norteia a mobilidade de uma língua. Não é possível se ponderar que em um processo de aquisição de uma LE ou mesmo de aprendizagem haja uma linearidade contínua de aportes meramente teóricos em detrimento da práxis e do movimento que diariamente re-constrói uma língua, a partir da inserção de novidades linguísticas, as quais estão diretamente ligadas às inovações culturais. Portanto, torna-se irrefutável a logística da construção do conhecimento linguístico advindo de ações concretas, complexas e provenientes da heterogeneidade dos aprendizes e da variedade contextual.
MARIA GORETTI
go23ss@hotmail.com

Variação Linguística

As variedades linguísticas relacionadas ao contexto, as quais também são chamadas de variedades estilísticas ou de registros demonstram a diversificação dos falantes em relação a sua fala, dependendo do contexto social ao qual estão inseridos, pois para cada situação verbal há um estilo lingüístico diferente.
Preti (1999) também denomina essa variação como estilística, no sentido de que o falante, conforme a situação, escolhe um estilo que julga mais conveniente para expressar seu pensamento, dependendo do contexto que está inserido no momento da fala.
Há um condicionamento de uma série de fatores que estão diretamente relacionados às marcas identitárias do falante, assim como à organização sociocultural da comunidade linguística como: classe social, idade, sexo, situação social.
MARIA GORETTI
gogs23ss@gmail.com